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Bem-estar

Você tem a Síndrome do Intestino Permeável?

25 Agosto 2017

Por Eric Madrid, Médico

O termo "intestino permeável" tem sido usado pelos terapeutas holísticos há várias décadas. Esse termo é controverso entre muitos médicos convencionais, pois a síndrome do intestino permeável não é algo que se costuma ensinar em faculdades de medicina. Se você pedir informações sobre a síndrome do intestino permeável ao seu médico, é provável que ele não saiba do que você está falando.

No entanto, cada vez mais médicos e pesquisadores estão começando a reconhecer o termo "aumento da permeabilidade intestinal". No final deste artigo, há uma lista de referências que apoiam a teoria da síndrome do intestino permeável (ou o aumento da permeabilidade intestinal).

O Que é o Intestino Permeável?

Há cerca de 2.300 anos, Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.) acreditava que "Todas as doenças começam nos intestinos". A ciência sustenta essa teoria, e é essencial focar na saúde intestinal para poder melhorar a saúde no geral. 

A síndrome do intestino permeável ocorre quando existem "buracos" anormais no seu revestimento intestinal, responsável por formar uma barreira. Essa barreira intestinal possui três objetivos principais:

  1. Proteger o organismo contra toxinas e patógenos;
  2. Manter o nosso sistema imunológico saudável;
  3. Oferecer suporte à digestão e à absorção de vitaminas, minerais e outros nutrientes.

Imagine que os intestinos funcionam como um filtro, que não deixa as toxinas entrarem, mas que permite a absorção de vitaminas, sais minerais e nutrientes para dentro do sangue. Agora, imagine que o filtro está com buracos que possibilita a absorção de substâncias nocivas. Essa situação não é boa. 

O não reconhecimento dos buracos ou a falta de reparo da barreira intestinal danificada resulta em um ciclo interminável de sintomas, que os médicos identificam como doenças. Após o diagnóstico, são prescritas medicações e muitas vezes são aconselhados inúmeros encaminhamentos a especialistas. 

Eu vejo isso com muita frequência em minha própria clínica quando novos pacientes vêm me consultar.  Embora estivessem sob os cuidados de alguns dos melhores especialistas da doença, a origem do problema nunca foi devidamente abordada e tratada. Para uma condição crônica, os medicamentos  receitados geralmente amenizam os sintomas, mas nunca solucionam a verdadeira causa do problema.

A síndrome do intestino permeável resulta na maior absorção de toxinas, produtos químicos e proteínas na corrente sanguínea.  Esse aumento na "carga antigênica" — um antígeno é uma proteína que ativa o sistema imunológico – causa estresse e confusão no sistema imunológico, fazendo com que ele produza anticorpos que atacam o próprio organismo.  Por definição, essa é uma doença autoimune.

Além disso, a absorção dessas toxinas afeta negativamente as principais células produtoras de energia do nosso corpo: as mitocôndrias. Elas ficam danificadas e incapazes de gerar energia. Essa condição é chamada de disfunção mitocondrial. Quando as nossas células são incapazes de produzir energia, ocorrem fadiga crônica e dor muscular.

A síndrome do intestino permeável é comum em pessoas que apresentam as seguintes doenças (e em muitos casos, pode ser a causa):

  • Enxaquecas;
  • Fibromialgia;
  • Ansiedade;
  • Depressão;
  • Acne cística;
  • Rosácea;
  • Fadiga crônica;
  • Asma;
  • Sensibilidades químicas;
  • Insônia;
  • Alergias crônicas;
  • Dores crônicas;
  • Transtorno bipolar;
  • Anemia;
  • Dores nas articulações/artrite;
  • Confusão mental;
  • Deficiência cognitiva;
  • Síndrome das pernas inquietas;
  • Eczema e outras erupções cutâneas;
  • Psoríase;
  • Urticária crônica;
  • Tireoidite de Hashimoto;
  • Lúpus;
  • Artrite reumatoide;
  • Incapacidade de perder peso.

Sintomas Intestinais da Síndrome do Intestino Permeável

  • Inchaço abdominal;
  • Diarreia;
  • Constipação;
  • Síndrome do Intestino Irritável (SII);
  • Refluxo gastroesofágico/azia;
  • Produção excessiva de gases;
  • Alimentos não digeridos nas fezes.

A síndrome do intestino permeável, ou aumento da permeabilidade intestinal, é uma condição que gera muitos sintomas e problemas reais nas pessoas acometidas por ela. Uma busca na literatura científica do PubMed (uma ferramenta de busca para médicos e cientistas) mostra mais de 3.700 artigos científicos sobre o tema da "permeabilidade intestinal".

Causas do Intestino Permeável

São várias as causas do intestino permeável. Nossas escolhas no dia a dia contribuem para uma vida saudável ou para o surgimento de doenças; por isso, faça boas escolhas. 

Há vários fatores que contribuem para a síndrome do intestino permeável, como:

  • Más escolhas alimentares (consumo excessivo de açúcar e alimentos processados enquanto se evitam frutas e verduras);
  • Níveis elevados de estresse;
  • Sensibilidades alimentares (laticínios, trigo/glúten, milho e soja são gatilhos comuns);
  • Alergias alimentares;
  • Uso recorrente ou de longo prazo de antibióticos, os quais matam as bactérias benéficas presentes nos intestinos;
  • AINEs (anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, naproxeno etc.);
  • Consumo crônico e diário de álcool (mais de 1 bebida por dia no caso das mulheres e mais de 2 por dia no caso dos homens);
  • Produção insuficientes de ácidos estomacais (devido ao consumo de longo prazo de antiácidos);
  • Infecções por protozoários e parasitas;
  • Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado (SBID).   

Exames

A maioria dos laboratórios pode realizar exames para verificar o aumento da permeabilidade intestinal por meio de um teste de lactulose/manitol (Genova Diagnostics e Doctor's Data) ou exames de zonulina (Doctor’s Data, laboratórios Cyrex).  Os seguros de saúde podem ou não cobrir o custo desses exames. Você também pode solicitar exames de sangue ao seu médico para que ele avalie se você tem sensibilidades alimentares (IgG) e alergias alimentares (IgE). Os exames de alergia não verificam diretamente a ocorrência de intestino permeável, mas certas sensibilidades alimentares predispõem a pessoa a desenvolver essa síndrome. Também deve ser considerada uma avaliação do estado nutricional. Normalmente esses exames são cobertos pelo seguro de saúde. Peça que o seu médico meça o seu nível de vitamina D 25-OH, zinco, vitamina B12, ferro, ferritina, CBC e CMP.  

Os 5 Rs da Saúde Intestinal

Os praticantes da medicina funcional utilizam os "5 Rs" para otimizar a saúde intestinal: Remover, Repor, Reinocular, Reparar e Reequilibrar.

Remover – Elimine os organismos patogênicos e os alimentos aos quais você é sensível. Para a maioria das pessoas, geralmente são os laticínios, o trigo (glúten) e possivelmente o milho e os produtos derivados desse vegetal, tais como o xarope de milho com alto teor de frutose. O excesso de açúcar e de álcool também danifica o revestimento do intestino.

Remova da sua dieta os adoçantes artificiais (aspartame e sucralose) – eles causam alterações nas bactérias intestinais e podem causar diarreia e má digestão ao permitirem que as bactérias nocivas se propaguem. A minha recomendação pessoal é uma dieta de eliminação com duração de seis semanas. Alguns recomendam de 4 a 6 meses de eliminação para conseguir o máximo benefício.

Repor enzimas / HCL (ácido clorídrico) – Faça a suplementação com betaína HCL, enzimas digestivas pancreáticas. Suspenda/reduza o consumo de antiácidos, como bloqueadores de H2 (ranitidina, famotidina) e inibidores de bomba de prótons (omeprazol, esomeprazol, pantoprazol). Se faz bastante tempo que você vem usando esses medicamentos, poderá precisar parar o consumo aos poucos, no decorrer de vários meses. Não interrompa o consumo de medicamentos sem antes consultar o seu médico.

Reinocular – É nessa fase que a pessoa coloniza os intestinos novamente com as bactérias saudáveis.  Exemplos de bactérias saudáveis incluem os lactobacilos e as bifidobactérias. Eu recomendo um suplemento de probiótico que possua entre 10 e 30 bilhões de unidades, uma ou duas vezes por dia. Além disso, a Saccharomyces boulardii, uma levedura saudável, pode ajudar a restaurar o equilíbrio. As mudanças na dieta são as coisas mais importante que você pode fazer para melhorar a sua saúde intestinal. Quando você se alimenta, também alimenta as suas bactérias intestinais.

Reparar – As mudanças na alimentação que são recomendadas para ajudar a curar o intestino permeável incluem as seguintes:

  • Tomar caldo de ossos diariamente, pelo menos 240 ml, duas vezes por dia;
  • Consumir kefir e/ou iogurte;
  • Beber chá de kombucha;
  • Consumir mais vegetais fermentados, como chucrute e kimchi, alimentos usados no cotidiano da cultura coreana;
  • Cozinhar com óleo de coco;
  • Eliminar grãos e alimentos processados – consumir sementes germinadas, como sementes de chia, linhaça e cânhamo;
  • Consumir uma dieta com alto teor de fibras vegetais, incluindo repolho e abacates.

Reequilibrar – Faça mudanças no seu estilo de vida. Participe de atividades que reduzem o nível de estresse, como meditação, ioga e exercícios todos os dias. Durma por um período adequado todas as noites. Considere também o consumo de um chá relaxante todas as noites antes de dormir. Um exemplo seria um chá da erva valeriana ou chá de camomila.

Os suplementos alimentares também desempenham um papel importante na cicatrização do intestino permeável. Se estiver com o orçamento apertado, escolha primeiro os da  lista de Suplementos Principais.

 Suplementos Principais

  • L- Glutamina em pó, consumida com um líquido. Tomar 5 gramas de 2 a 3 vezes por dia, durante 6 a 8 semanas;
  • Probióticos, pelo menos dez bilhões de unidades, duas vezes por dia;
  • Ácidos graxos ômega 3 (2.000 mg duas vezes por dia);
  • Quercetina, 1.000 mg, duas vezes por dia, durante 6 a 9 semanas;
  • Alcaçuz, um suplemento de ervas que ajuda a estimular um microbioma intestinal saudável. Se você tiver pressão arterial elevada, use a forma DGL (alcaçuz desglicirrizinado);
  • Suco de Aloe vera.

Suplementos Secundários

  • Magnésio quelado, 125 mg a 250 mg diariamente (o consumo além dessas doses pode causar diarreia em algumas pessoas);
  • Zinco (10-25 mg, geralmente contidos em um multivitamínico de qualidade);
  • Shakes de proteína para substitutos de refeição. Considere o consumo de um shake de proteínas à base de arroz em vez de soro de leite e/ou de soja;
  • Boswellia – Uma erva ayurvédica que oferece suporte à saúde intestinal por meio da redução da inflamação;
  • Artemisia – ajuda a aumentar a quantidade de bactérias favoráveis no intestino.

Referências:

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  2. The Institute for Functional Medicine, Gastrointestinal  Conference attended in 2015 by Dr. Eric Madrid.
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