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16 Remédios Naturais Para um Coração Saudável

23 Fevereiro 2018

Por Eric Madrid MD

A doença cardíaca é uma das principais causas de morte nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Infelizmente, conforme os países adotam o estilo de vida ocidental no lugar da dieta dos seus ancestrais, as doenças cardíacas continuarão a crescer. Só nos Estados Unidos, doenças cardíacas e vasculares causam cerca de 1 milhão de mortes desnecessárias por ano. A pressão alta é um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas – mais de 1 bilhão das 7,6 bilhões de pessoas existentes no mundo têm pressão alta.

Dor no peito é uma das principais razões pela qual alguém visita a emergência de um hospital. Após concluir a faculdade de medicina, me perguntavam com frequência por que me especializei em Atenção Primária à Saúde, mais especificamente Medicina Familiar.  A principal razão foi o meu interesse pela medicina preventiva. Eu sempre dizia, “Prefiro ajudar os pacientes a prevenir um ataque cardíaco do que tentar tratá-lo depois que o problema tenha ocorrido”. Tenho confiança de que estou no caminho certo.

Consumir uma dieta saudável para o coração, não fumar e exercitar-se de forma rotineira são três dos hábitos mais importantes que podem ser incorporados para prevenir doenças cardíacas, mais importantes até do que qualquer medicamento já criado.

Fatores de risco para doenças cardíacas

  • Pressão alta – faz o coração trabalhar mais do que devia
  • Fumar – causa danos aos vasos sanguíneos e promove o entupimento das artérias
  • Diabetes – causa danos oxidativos aos vasos sanguíneos
  • Obesidade – provoca estresse extra no coração
  • Homocisteína elevada – causa danos oxidativos aos vasos sanguíneos
  • Proteína reativa C elevada, um marcador para inflamação (Saiba mais sobre inflamação)
  • Histórico familiar de problemas cardíacos – uma vida saudável pode reduzir esse risco
  • Colesterol alto – contribui para o entupimento das artérias
  • LDL elevado (colesterol ruim) – contribui para o entupimento das artérias
  • Triglicerídeos elevados – contribui para o entupimento das artérias
  • Lipoproteína (a) elevada no sangue – fator de risco genético
  • Dieta pobre em frutas e vegetais – falta de antioxidantes necessários para proteção
  • Dieta rica em alimentos de origem animal – hormônios e produtos químicos presentes nos produtos aumentam o risco
  • Apneia do sono/falta de sono – provoca estresse no coração
  • Estresse crônico – eleva os níveis de cortisol, causando doenças cardíacas e endurecimento das artérias
  • Depressão/ansiedade –  eleva os níveis de cortisol, causando doenças cardíacas
  • Conflitos não resolvidos – elevam os níveis de cortisol, causando doenças cardíacas
  • Sentimento de culpa – eleva os níveis de cortisol, causando doenças cardíacas
  • Prega lobular diagonal – fator de risco genético
  • Calvície de padrão masculino –  fator de risco genético

Quanto mais fatores de risco, maior a chance de ficar doente. A presença de alguns fatores de risco não significa necessariamente que uma pessoa terá um ataque cardíaco ou derrame. Portanto, reduzir ao máximo esses fatores é muito importante para minimizar os riscos de doenças cardíacas, infartos, derrames e a morte.

Medicamentos podem ajudar a reduzir os fatores de risco

A medicina moderna possui algumas ferramentas na "caixa de ferramentas do médico", que podem ser úteis na redução de fatores de risco. Para os que estão em risco, a medicina pode desempenhar um papel muito importante, principalmente quando a dieta, o estilo de vida e os suplementos não são suficientes. Infelizmente, o uso diário de medicamentos é a única medida à qual muitos se comprometerão. Contudo, essa estratégia é perigosa. Os médicos usam remédios para reduzir a pressão arterial e o colesterol, mas ter um estilo de vida mais saudável também deve fazer parte da equação.

Alimentos para ter um coração saudável

Escolher o alimento certo para consumir é uma das formas mais importantes de prevenir doenças cardíacas e diminuir as inflamações nas artérias e no coração. Os benefícios de uma dieta mediterrânea para a saúde do coração têm sido provados em diversos estudos. Um estudo de 2013 da New England Journal of Medicine, por exemplo, concluiu que “Entre pessoas com alto risco de problemas cardiovasculares, uma dieta mediterrânea suplementada com azeite extra virgem ou nozes reduz a incidência de eventos cardiovasculares maiores”.

Uma dieta rica em frutas, vegetais e feijão é fundamental, mas uma variedade de outros alimentos pode ajudar:

  • Nozes – castanhas-do-pará sem sal, pinhão, amêndoa, castanha de caju e nozes são ricas em ácido linoleico, um ácido graxo ômega-6 anti-inflamatório único e saudável
  • Sementes – sementes sem sal de abóbora, chia e girassol
  • Frutas – orgânicas e frescas. 4 porções ao dia, no mínimo
  • Lignanas – encontradas na linhaça, no chá verde e no morango
  • Folhas verdes – couve-galega, espinafre e couve, por exemplo. 6 porções/dia
  • Produtos de soja – tofu orgânico, edamame, missô, tempeh
  • Peixe – coma peixes selvagens (não-criados em fazenda), mas não mais de uma vez por semana devido à possível contaminação por mercúrio (as opções de peixes com baixo mercúrio incluem trutas, peixe branco, salmão, anchovas e muitos outros).
  • Carne vermelha e aves – coma apenas carne de animais alimentados com grama e sem hormônios, e aves criadas livremente
  • Azeite extra virgem – rico em ácido oleico, um ácido graxo ômega-9. Só utilize azeite para cozinhar a temperaturas baixas e médias
  • Óleo de coco – ideal para cozinhar a altas temperaturas e é mais saudável do que o óleo de canola
  • Óleo de gergelim light – aceitável para cozinhar a altas temperaturas e possui vários benefícios para a saúde
  • Chá verde – bom para o coração.
  • Água purificada– evite bebidas açucaradas

Suplementos para a saúde do coração

A ingestão de suplementos é parte de um regime que muitos seguem para melhorar a saúde cardiovascular.

Vitamina C

Vitamina C, ou ácido ascórbico, é uma vitamina crucial e desempenha um papel importante para o colágeno, principal componente das artérias. De acordo com um estudo de 2009 no The American Journal of Clinical Nutrition, que analisou pessoas nos Estados Unidos, mais de 7 por cento das pessoas a partir de seis anos de idade possuía deficiência de vitamina C com base nos exames de sangue. Mais da metade dos analisados consumia quantidades baixas em sua dieta. Os níveis de vitamina C também foram mais baixos naqueles que fumavam tabaco. Estudos mostram que uma dieta rica em alimentos contendo vitamina C faz bem para o coração. Um estudo de 2017 do Journal of Nutritional Biochemistry demonstrou que os quadris de rosa, ricos em vitamina C, ajudam a prevenir aterosclerose, o precursor das doenças cardíacas.

Vitamina D

A deficiência de vitamina D é um fator de risco para problemas cardíacos de acordo com um estudo de 2013 da Nutrients.  Um estudo feito na Harvard University mostrou que pessoas com níveis mais elevados de vitamina D no sangue tem 80 por cento a menos de chance de sofrer um infarto, quando comparados àqueles com níveis mais baixos. Um estudo da Alemanha mostrou que indivíduos com níveis mais baixos de vitamina D no sangue tinham cinco vezes mais chances de morrer de parada cardíaca súbita do que aqueles com níveis mais elevados.   

Além disso, um estudo de 2017 concluiu, “… os níveis de vitamina D no sangue eram significativamente mais baixos em pacientes que sofreram infarto, principalmente na América e na Ásia, e níveis adequados da vitamina podem proteger contra ataques cardíacos.”. Dose sugerida: Vitamina D 2.000-5.000 UI diariamente, por toda a vida.

Ômega-3 do óleo de peixe

Ácidos graxos essenciais ômega-3 consistem principalmente de ácido eicosapentaenoico (EPA) e  ácido docosa-hexaenoico (DHA). Um estudo de 2014 no Nutrition Journal demonstrou que a maioria dos americanos não consome óleos essenciais de ômega-3 o suficiente. Eles podem ser encontrados em várias fontes alimentares, incluindo peixes (cavala, bacalhau e salmão estão entre os mais ricos), nozessementes de chiasementes de linhosementes de cânhamo, e natto.

Um estudo de 2017 da Future Science mostrou que os óleos de ômega-3 podem reduzir a inflamação que ocasiona a doença cardíaca. Um estudo de 2017 na Atherosclerosis mostrou que níveis mais altos de ômega-3 no sangue podem reduzir mortes por doenças cardíacas em 30 por cento.

Empresas farmacêuticas fabricam e vendem o óleo de peixe farmacêutico, que tem mostrado diminuir os níveis de triglicerídeos em 50 por cento. Entretanto, prescrições não farmacêuticas fazem o mesmo trabalho e custam menos. Dose recomendada: 1.200 mg por dia ou 3.600 mg por dia de ômega-3 do óleo de peixe.

Óleo de krill

O óleo de krill é consumido por muitos como alternativa para o óleo de peixe com ômega-3. Ele é capaz de reduzir os triglicerídeos, um tipo de gordura que circula no sangue.

O óleo de krill também reduz os níveis do colesterol LDL (ruim), um dos principais fatores de risco para doenças cardíacas. Um estudo de 2017 com 662 pacientes da Nutrition Reviews mostrou que o LDL pode ser reduzido naqueles que consomem óleo de krill. Outros estudos também exibiram resultados semelhantes. Dose sugerida: 500 mg a 2.000 mg por dia de óleo de krill (uma alternativa para o óleo de peixe).

Coenzima Q10

A coenzima Q10 (CoQ10) desempenha um papel importante na saúde das mitocôndrias, a fonte de energia das nossas células. Como o coração é o órgão mais ativo do corpo, ele produz e necessita da maior quantidade de CoQ10 para suprir suas demandas metabólicas. Entretanto, em pessoas com doenças cardíacas, são necessários níveis mais altos de CoQ10.

Um estudo de 2017, que revisou outros 14 estudos, mostrou um importante benefício da CoQ10—os resultados mostraram que aqueles consumindo CoQ10 tinham 31 por cento a menos de chance de morrer de complicações de insuficiência cardíaca.  

Um estudo de 2014 da Medical Science Monitor mostrou que 50 mg de coenzima Q10, ingerida duas vezes ao dia, pode ser benéfica na redução de dores musculares causadas por drogas prescritas contendo estatina. Outros estudos levaram a resultados conflitantes. A coenzima Q10 também pode reduzir os níveis de colesterol ruim (LDL), triglicerídeos, e LP(a) no sangue. Dose sugerida:  CoQ10 – 100 mg três vezes ao dia ou 300 mg uma vez ao dia.

Arroz fermentado vermelho

Um estudo de 2008 mostrou que o arroz fermentado vermelho, quando combinado com mudanças no estilo de vida e suplementos de óleo de peixe com ômega-3, o colesterol LDL (ruim) pode ser reduzido em até 42 por cento—um resultado similar ao de drogas como atorvastatina (Lípitor).

Um outro estudo de 2008 feito na China e relatado no American Journal of Cardiology, incluiu cerca de 5.000 pessoas que consumiram arroz fermentado vermelho por quase 5 anos. Os pesquisadores concluíram que uma terapia a longo prazo com arroz fermentado vermelho reduz significativamente a recorrência de ataques cardíacos, previne novos ataques e reduz o risco de morte em 33%. Os pesquisadores indicaram que o arroz era seguro e bem tolerado.

Um estudo de 2015 mostrou resultados semelhantes, levando os pesquisadores a concluir que “…o arroz fermentado vermelho pode ser uma opção de tratamento segura e eficaz para a dislipidemia (colesterol alto) e redução do risco cardiovascular em pacientes intolerantes à estatina”.  Em outras palavras, eles concluíram que o arroz fermentado vermelho é uma boa alternativa para pacientes sem tolerância para drogas redutoras do nível de colesterol com estatina.

Espirulina

A espirulina, um antioxidante potente, fornece outra arma no arsenal de redução de colesterol. Um estudo de 2008 da população mexicana mostrou que a espirulina pode reduzir os níveis de colesterol e a pressão arterial nos indivíduos testados.

Um estudo mais recente de 2014 mostrou que 1 grama de espirulina tomado diariamente pode reduzir o colesterol total em 16 por cento quando ingerido por 12 semanas.  Também foi observada redução nos triglicerídeos e no colesterol LDL (ruim).  Um estudo de 2015 confirmou os benefícios da espirulina na redução do colesterol. Consumir espirulina em conjunto com medicamentos prescritos é aceitável.

espirulina pode ser usada como suplemento, e muitos fabricantes a vendem na forma de comprimido ou . A forma em pó funciona melhor quando adicionado a alimentos. Se estiver usando espirulina em pó, recomenda-se adicioná-la a uma vitamina.

Outros suplementos para manter o coração saudável

  • Magnésio quelato – ajuda o coração e as artérias a relaxarem
  • L-carnitina – ajuda a otimizar a função mitocondrial, importante naqueles com insuficiência cardíaca
  • L-Arginina – um aminoácido útil para angina e insuficiência cardíaca
  • Ácido fólico ou folato de metila – ajuda a diminuir a homocisteína, um fator de risco para doenças cardíacas
  • D-ribose – teoricamente útil naqueles com insuficiência cardíaca
  • Niacina–  ajuda a aumentar o colesterol bom (HDL). O rubor facial é um efeito colateral comum
  • Vitamina B12 ou metilcobalamina – ajuda a diminuir a homocisteína, um fator de risco para doenças cardíacas
  • Óleos essenciais – camomila, óleo essencial de perenifólias, menta e lavanda. Podem ser difundidos no ar ou ingeridos. Ajuda a reduzir o estresse, que pode afetar o coração de forma negativa.

Tenha um estilo de vida bom para o seu coração

Doenças cardíacas são uma das principais causas de morte ao redor do mundo. Parar de fumar, seguir uma dieta rica em frutas e verduras e exercícios rotineiros pode prevenir a morte prematura por doenças cardíacas naqueles que escolhem um estilo de vida mais saudável. Caminhar pelo menos 1.000 passos por dia é um bom objetivo para a maioria. Uma boa noite de sono também é fundamental para evitar doenças cardíacas. Frequentemente, as pessoas escolhem tomar vitaminas e suplemento para melhor controle dos fatores de risco e melhorar seus resultados, principalmente quando mudanças na dieta e no estilo de vida não são suficientes.

Referências:

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