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Erva-de-são-joão — o melhor suplemento para o humor

Por Dr. Michael Murray, N.D.

Neste artigo:


Desde os tempos da Grécia Antiga e passando pela Idade Média, muitas pessoas acreditavam que a erva-de-são-joão possuía o poder quase mágico de melhorar o humor. Em 1984, com base nesse longo histórico de uso e em algumas pesquisas preliminares, a Comissão Alemã E, um conselho consultivo científico do Instituto Federal de Medicamentos e Dispositivos Médicos da Alemanha (equivalente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil), publicou monografias permitindo o uso da erva-de-são-joão como um agente aprovado que eleva o humor. 

A Comissão Alemã E atestou a erva-de-são-joão como um item seguro e eficaz. Tendo tal designação, os gastos com a erva-de-são-joão poderiam ser ressarcidos por planos de saúde quando um médico a receitava. Esse sistema levou muitas empresas a obterem sucesso e elas investiram seus lucros no financiamento de pesquisas clínicas. Os resultados clínicos dessas pesquisas geraram uma aceitação ainda maior por parte dos médicos alemães e, em pouco tempo, a erva-de-são-joão se tornou, na Alemanha, a abordagem mais amplamente prescrita para melhorar o humor.

‌‌O que é erva-de-são-joão?

O extrato de erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) é um dos suplementos alimentares botânicos mais bem estudados de todos os tempos. Sabe-se muito sobre os benefícios desta importante planta e sobre sua capacidade de melhorar o humor, conforme demonstram mais de 40 estudos duplos-cegos que envolveram mais de 7.000 participantes. A qualidade dessas pesquisas ao longo dos últimos 40 anos foi considerada aceitável mesmo com base nos critérios mais rigorosos.

A erva-de-são-joão é uma planta arbustiva perene com várias flores de cor amarela intensa. Devido a seu nome científico, ela também é conhecida como hipérico. A homenagem a São João Batista no nome da planta advém da alegação de que manchas vermelhas, que simbolizariam o sangue de São João, aparecem sobre suas folhas no aniversário da decapitação do santo. Nativa da Europa, da Ásia e dos EUA, a erva-de-são-joão passou a ser cultivada no mundo todo. Nos EUA, ela cresce especialmente bem no norte da Califórnia e no sul de Oregon.

‌‌‌‌Como a erva-de-são-joão ajuda a melhorar o humor?

Os efeitos da erva-de-são-joão são complexos. Ela exerce um efeito modulador entre a comunicação do sistema imunológico e os centros no cérebro que controlam o humor. Ela também afeta os níveis de serotonina, aumentando-os em áreas importantes do cérebro. A serotonina é um dos mensageiros químicos (neurotransmissores) que transmitem sinais entre as células cerebrais. Pessoas com níveis baixos de serotonina se sentem tristes, ansiosas e tendem a ter vontade de comer carboidratos. A erva-de-são-joão bloqueia a reabsorção de serotonina pelas células do cérebro. Em consequência disso, há mais serotonina se ligando à célula nervosa adjacente e transmitindo seu sinal.1 

Efeitos de níveis ideais X níveis baixos de serotonina

Níveis ideais 

Níveis baixos

Positivo/Otimista

Negativo/Pessimista

Calmo

Nervoso

Amigável

Irritadiço

Paciente

Impaciente

Reflexivo e atencioso

Impulsivo

Amoroso e carinhoso

Indiferente

Capaz de se concentrar

Dificuldade de manter a atenção

Criativo e focado

Bloqueado e disperso

Capaz de raciocinar

 Explosivo

Responsivo

Reativo

Não consome carboidratos em excesso

Sente vontade de consumir carboidratos

Dorme bem e se lembra dos sonhos

Dorme mal e se lembra pouco dos sonhos

‌‌Benefícios clinicamente estudados da erva-de-são-joão

A literatura médica endossa consideravelmente o uso de extratos de erva-de-são-joão padronizados em 0,3% de hipericina para elevar o humor.1 Ao longo dos anos, realizaram-se extensas revisões técnicas, conhecidas como meta-análises, sobre a erva-de-são-joão. A maior delas até o momento avaliou os resultados de 35 estudos, com um total de 6.993 participantes.2 Uma análise detalhada revelou um grau notável de eficácia e segurança na melhora do humor, sobretudo em quadros depressivos leves a moderados. Nesses estudos clínicos, determina-se a eficácia principalmente por meio de questionários muito detalhados que avaliam sensações subjetivas com relação a humor, qualidade do sono, níveis de energia, sintomas físicos e qualidade de vida. A erva-de-são-joão melhora todos esses parâmetros e, em geral, é muito bem tolerada, sem efeitos colaterais significativos notados. 

Apesar dos resultados positivos na maioria das pesquisas com o extrato de erva-de-são-joão, dois estudos que identificaram poucos efeitos foram publicados na Revista da Associação Médica Americana (JAMA) em 2001 e 2002, algo que teve grande destaque na mídia.3,4 Esses estudos, associados à repercussão negativa gerada, tiveram sucesso ao frear a popularidade da erva-de-são-joão. Porém, esses dois estudos parecem ter sido elaborados para produzir os resultados obtidos. Em ambos, utilizou-se uma dosagem menor que o nível eficaz para pessoas com quadros depressivos mais severos. Embora alguns estudos tenham demonstrado que o extrato de erva-de-são-joão é eficaz com uma dosagem de 900 mg por dia, é preciso consumir uma dose maior (1.800 mg por dia) para quadros depressivos mais severos.5 Os dois estudos publicados na revista JAMA em 2001 e 2002, que abordaram esses casos mais severos, utilizaram uma dosagem inferior a 1.800 mg. Curiosamente, o primeiro estudo negativo foi financiado pela empresa farmacêutica que comercializava o medicamento antidepressivo mais vendido à época. No segundo estudo, o extrato de erva-de-são-joão foi comparado à sertralina, um antidepressivo popular. Os resultados mostraram que o medicamento também não tinha eficácia na melhora do humor dos pacientes estudados, embora gerasse efeitos colaterais significativos, ao passo que a erva-de-são-joão não os produzia. 

Além disso, uma análise dos dados do segundo estudo revelou que os pacientes e médicos tiveram uma percepção significativamente enviesada quanto ao tratamento recebido pelos participantes, o que influenciou consideravelmente os resultados.6,7 Esse viés diminuiu a objetividade do ensaio clínico e explica a falta de efeito no tratamento.

Os resultados desses dois estudos afetaram a popularidade da erva-de-são-joão nos Estados Unidos. As vendas totais em 2020 representam menos de 5% do que eram em 2001. Apesar da queda na popularidade, o mais irônico é que os estudos clínicos desde 2002 continuaram a apresentar ótimos níveis de eficácia e segurança na melhora do humor.2

Além de melhorar o humor, os benefícios do extrato de erva-de-são-joão em mulheres passando pela menopausa se estenderam, incluindo a redução das ondas de calor. No estudo mais recente, 80 mulheres de 45 a 60 anos que apresentavam sintomas depressivos e ondas de calor diariamente tomaram um extrato de erva-de-são-joão ou comprimidos de placebo por dois meses.8 Ao fim do estudo, o número de ondas de calor nas pacientes que consumiram o extrato havia diminuído, passando de quatro ocorrências moderadas a severas por dia para cerca de uma onda muito leve a cada dois dias. O grupo que tomou o placebo seguiu tendo uma média de quatro ondas de calor moderadas a severas por dia. Após oito semanas de uso, 80% das mulheres submetidas à erva-de-são-joão eliminaram os sintomas depressivos, o que ocorreu com apenas 5,7% das mulheres no grupo que tomou o placebo. 

‌‌Qual é a dosagem recomendada de erva-de-são-joão?

A maioria dos estudos clínicos utilizou extratos de erva-de-são-joão padronizados para conter 0,3% de hipericina. Embora a hipericina seja um componente essencial, uma ampla gama de compostos que constituem os 99,7% restantes do extrato também contribuem para os efeitos de melhora do humor. Para que se obtenham os benefícios indicados nos ensaios clínicos, é difícil recomendar outras formas além de extratos de erva-de-são-joão padronizados para conter 0,3% de hipericina.

Extrato padronizado (seco em pó) com 0,3% de hipericina: 900 a 1.800 mg por dia.

‌‌Quais são os efeitos colaterais e as interações medicamentosas da erva-de-são-joão?

O extrato de erva-de-são-joão não apresentou efeitos colaterais significativos nos ensaios clínicos publicados. Em geral, os efeitos colaterais não foram mais frequentes que os do placebo. No momento, devido à falta de estudos definitivos, a erva-de-são-joão não é recomendada para crianças e mulheres gestantes ou lactantes.

A erva-de-são-joão contém um flavonoide, a hiperforina, que também apresentou mecanismos positivos na melhora do humor. Porém, ela também aumenta a degradação de vários medicamentos.9 Extratos de erva-de-são-joão com um teor de hiperforina superior a 1% podem reduzir os níveis de diversos medicamentos no sangue, como alprazolam, amitriptilina, digoxina, ciclosporina, indinavir, irinotecano, metadona, nevirapina, sinvastatina, tacrolimo, teofilina, varfarina e contraceptivos orais. Em especial, mulheres que estão tomando pílulas anticoncepcionais devem evitar tomar extratos de erva-de-são-joão com um teor de hiperforina superior a 1%, pois a hiperforina pode aumentar a degradação dos hormônios contraceptivos, anulando, assim, seu efeito de prevenção da gravidez.10

Extratos de erva-de-são-joão padronizados em 0,3% de hipericina e com teor de hiperforina inferior a 1%, como este aqui, são recomendados para quem está tomando remédios prescritos e quer utilizar a erva-de-são-joão.

Pessoas que não estão tomando medicamentos prescritos podem usar extratos de erva-de-são-joão padronizados em 0,3% de hipericina e 2% de hiperforina com segurança.

Referências:

  1. Russo E, Scicchitano F, Whalley BJ,. Hypericum perforatum: pharmacokinetic, mechanism of action, tolerability, and clinical drug-drug interactions. Phytother Res. 2014 May;28(5):643-55.
  2. Apaydin EA, Maher AR, Shanman R, et al. A systematic review of St. John's wort for major depressive disorder. Syst Rev. 2016 Sep 2;5(1):148.
  3. Shelton RC, Keller MB, Gelenberg A, et al. Effectiveness of St. John’s wort in major depression: A randomized trial. JAMA 2001;285:1978-86.
  4. Hypericum Depression Trial Study Group. Effect of Hypericum perforatum (St John’s wort) in major depressive disorder: a randomized controlled trial. JAMA 2002;287:1807–1814.
  5. Vorbach EU, Arnoldt KH, Hubner WD. Efficacy and tolerability of St. John’s wort extract LI 160 versus imipramine in patients with severe depressive episodes according to ICD-10.  Pharmacopsychiatry 1997;30:S81–S85.
  6. Chen JA, Papakostas GI, Youn SJ, Baer L, Clain AJ, Fava M, Mischoulon D. Association between patient beliefs regarding assigned treatment and clinical response: reanalysis of data from the Hypericum Depression Trial Study Group. J Clin Psychiatry. 2011 Dec;72(12):1669-76.
  7. Chen JA, Vijapura S, Papakostas GI, et al. Association between physician beliefs regarding assigned treatment and clinical response: re-analysis of data from the Hypericum Depression Trial Study Group. Asian J Psychiatr. 2015 Feb;13:23-9.
  8. Eatemadnia A, Ansari S, Abedi P, Najar S. The effect of Hypericum perforatum on postmenopausal symptoms and depression: A randomized controlled trial. Complement Ther Med. 2019 Aug;45:109-113.
  9. Chrubasik-Hausmann S, Vlachojannis J, McLachlan AJ. Understanding drug interactions with St John's wort (Hypericum perforatum L.): impact of hyperforin content. J Pharm Pharmacol. 2019 Jan;71(1):129-138.
  10. Berry-Bibee EN, Kim MJ, Tepper NK, Riley HE, Curtis KM. Co-administration of St. John's wort and hormonal contraceptives: a systematic review. Contraception. 2016 Dec;94(6):668-677. 
 

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