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Condições

Abordagens naturais para a prisão de ventre

15 Abril 2019

Por Eric Madrid MD

Neste texto:

A prisão de ventre – falta de frequência de movimentos intestinais ou dificuldade para defecar – é um problema médico comum, afetando até 20 por cento da população. Geralmente definida como menos de três movimentos intestinais por semana, o problema é considerado crônico se persistir por duas semanas ou mais.

Apesar do fato de que a prisão de ventre é tão comum, ela não deve ser ignorada. A sua causa deve sempre ser buscada, principalmente se os sintomas não melhorarem depois de algumas semanas. Consultar seu médico é importante para garantir que nenhum problema de saúde sério pré-existente seja um fator contribuinte.

Causas comuns da prisão de ventre:

Falta de atividade física a prisão de ventre pode ser causada por uma falta de exercícios, o que evita que as fezes se movam de forma adequada.

Dieta – Uma dieta com baixo teor de fibras é aquela com baixo consumo de feijão, frutas e vegetais. Um bom consumo de fibras ajuda a otimizar as bactérias intestinais saudáveis e a regularidade do intestino.

Alimentos processados – Alimentos processados, bolos, cookies, doces, massas e pães podem causar prisão de ventre. Para muitas pessoas, o queijo também é um culpado. Se você suspeita que determinado alimento está causando problemas intestinais para você, considere fazer um diário alimentar para identificar a causa.

Desidratação – frequentemente causada por um consumo inadequado de água ou um consumo excessivo de café e chá, a desidratação pode reduzir os movimentos intestinais. Certos medicamentos, como os diuréticos para a pressão sanguínea, também podem eliminar os níveis de hidratação.

Certos medicamentos – antialérgicos (difenidramina, loratadina, fexofenadina, etc.) e medicamentos opioides (hidrocodona, oxicodona, morfina, etc.) para a dor crônica são conhecidos por causar a prisão de ventre.

SuplementosCálcio e ferro podem contribuir para a prisão de ventre. O cálcio, quando em dose maior que 1.000 mg por dia, pode causar prisão de ventre se uma quantidade adequada de magnésio não for tomada em conjunto. Analogamente, suplementos de ferro, que costumam ser tomados para a anemia (que deve ser diagnosticada por um médico), podem causar prisão de ventre. Porém, se o ferro for tomado com vitamina C, isso pode ajudar com sua absorção e ajudar a evitar a prisão de ventre.

Síndrome do intestino irritável (SCI) – a SCI pode vir acompanhada de diarreia, mas também é comum causar a prisão de ventre. Algumas pessoas podem ter os dois, alternando de um dia para o outro. Pessoas com SCI de prisão de ventre predominante costumam receber medicamentos prescritos se as mudanças na alimentação e no estilo de vida não forem suficientes.

Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO) – existem evidências de que o supercrescimento de bactérias, que produzem gás metano, pode aumentar o risco de prisão de ventre, devido ao gás metano desacelerando o tempo de movimentação.

Hipotireoidismo – uma tireoide com pouca atividade afeta até 10 por cento da população. O problema tende a desacelerar o tempo de digestão geral, levando à prisão de ventre.

Uso frequente de antibióticos – uma disfunção no microbioma intestinal pode ser causada por antibióticos. Em alguns casos, ela pode causar diarreia. Porém, devido à destruição das bactérias saudáveis, isso também pode levar à prisão de ventre crônica e à SIBO, conforme discutido acima.

Estresse – cada um de nós reage de forma diferente ao estresse. Para algumas pessoas, ele pode levar à prisão de ventre. Encontrar uma válvula de escape saudável para reduzir o estresse interno é crucial para a saúde física e mental. Diz-se que a prisão de ventre resulta, literalmente, de não se ter uma válvula de escape – a redução do estresse, o biofeedback e a restauração do equilíbrio da vida pode ajudar os movimentos intestinais a se tornarem mais consistentes.

Problemas médicos crônicos, como mal de Parkinson, câncer de cólon, lesão da medula espinhal e, algumas vezes, até derrame, podem resultar da prisão de ventre crônica.

As complicações da prisão de ventre crônica incluem:

  • Dor nos movimentos intestinais
  • Maior risco de diverticulose (formação de pequenas bolsas no cólon) e, em casos mais graves, diverticulite (infecção nas bolsas)
  • Sangue nas fezes
  • Desenvolvimento de hemorroidas
  • Intestino permeável (saiba mais)
  • Maior exposição a toxinas do intestino e supercrescimento das bactérias intestinais
  • Dificuldade para urinar (devido às fezes pressionando a uretra)

Você já fez o exame para câncer de cólon?

A maioria das instruções medicas recomenda que pessoas com 50 anos de idade ou mais façam o exame para câncer de cólon. Isso pode ser feito com uma colonoscopia, sigmoidoscopia ou exame de fezes que avalie o DNA do sangue ou o DNA de um possível câncer.

Pessoas com um histórico familiar de câncer de cólon podem precisar ser examinados a partir dos 40 anos, ou até mais cedo. Consulte seu médico e certifique-se de estar atualizado(a) com as diretrizes recomendadas com base em sua idade e fatores de risco familiares.

Medicamentos prescritos:

Se nenhuma causa existente ou reversível de prisão de ventre for identificada, os médicos costumam prescrever docusato de sódio (Colace), polietilenoglicol (PEG ou Miralax), lactulose (Enulose) ou sorbitol.

Outros medicamentos prescritos para a prisão de ventre crônica incluem linaclotide (Linzess, Constella), plecanatide (Trulance) e lubiprostona (Amitiza).

Se a causa da prisão de ventre for um medicamento opioide – visto que esse é um efeito colateral comum – empresas farmacêuticas desenvolveram medicamentos (metilnatrexona) para combater esse efeito colateral.

Abordagens naturais

Muitas pessoas preferem evitar medicamentos prescritos devido a preocupações sobre efeitos colaterais. Abaixo, seguem algumas abordagens naturais que muitas pessoa seguem para ajudar a aliviar os sintomas da prisão de ventre, além de manter um cronograma intestinal regular. Mudanças na dieta e no estilo de vida têm um papel crucial na saúde intestinal, e devem sempre ser consideradas primeiro.  Porém, algumas vezes isso não é suficiente.

Exercícios – manter um estilo de vida ativo, na medida do possível, é importante para ajudar a encorajar movimentos intestinais regulares. As diretrizes recomendam que a maioria das pessoas tente obter pelo menos 150 minutos por semana de atividade física semanal. Isso ajuda o intestino a se manter ativo e regular. O simples ato de caminhar 30 minutos por dia pode ser muito útil. Algumas pessoas descobrem que a ioga também pode ajudar.

Dieta rica em fibras – isto é muito importante.  As diretrizes recomendam consumir pelo menos 25 gramas de fibras por dia, o que pode ser alcançado consumindo cinco a nove porções de vegetais e frutas. Por exemplo, um abacate tem 13 gramas de fibras, enquanto uma maçã de tamanho médio fornece quatro gramas, e uma banana média tem três gramas. As frutas não só são ricas em fibras, como também ajudam a proteger contra o câncer de cólon, de acordo com um estudo de 2016 publicado na revista Molecules. As sementes de chia também são uma boa opção – uma única colher de chá contém cerca de 6 gramas de fibras.  Uma xícara de feijão preto tem 15 gramas de fibras.

Alimentos de origem vegetal ajudam a garantir a regularidade.  Eles também fornecem muitos outros benefícios à saúde, incluindo maior absorção de vitaminas como A, K e E, além de vitamina C e outros fitonutrientes, que são ricos em antioxidantes.

Um estudo de 2015 demonstrou que as fibras são efetivas em pessoas com prisão de ventre leve a moderada, e também em pessoas com prisão de ventre causada pela SCI. Uma dieta rica em alimentos de origem vegetal é associada a um menor risco de câncer de cólon, e tem um efeito favorável nas bactérias intestinais. Um estudo de 2012, publicado no World Journal of Gastroenterology, demonstrou que as fibras ajudam a aumentar a frequência de defecação em adultos.

Alimentos probióticos – os probióticos são bactérias saudáveis.  Eles podem ser muito úteis na restauração do equilíbrio do microbioma intestinal, principalmente quando esse microbioma é alterado por antibióticos ou pelo uso crônico de antiácidos.

Restaurar a população de bactérias saudáveis, como lactobacillus, bifidobacteria e outros micro-organismos benéficos importantes, é importante para a saúde geral e para aliviar a prisão de ventre. Um estudo de 2017, publicado na revista Advances in Nutrition, demonstrou que essas bactérias cruciais tendem a ter um nível menor em pessoas com prisão de ventre crônica.

Consumir alimentos e bebidas em cultura, como chucrute, sopa de misso, tempeh, iogurte e chá de kombucha, também pode ser benéfico para restaurar esse equilíbrio natural. Um estudo de 2016 no Irã demonstrou que mulheres grávidas com prisão de ventre apresentaram uma melhora quando tomaram iogurte diariamente. Suplementos de probióticos também costumam ser tomados, e serão discutidos abaixo.

Principais suplementos para a prisão de ventre

Magnésio – o magnésio é um mineral amplo, que é envolvido em mais de 350 reações bioquímicas pelo corpo. A deficiência de magnésio também uma das deficiências nutricionais mais comuns, e pode se manifestar na forma de dores de cabeça, palpitações do coração, cãibras musculares e até prisão de ventre.

Como resultado, a suplementação com magnésio pode ser benéfica em pessoas com prisão de ventre. Porém, no caso de desenvolvimento de fezes soltas, a dosagem deve ser reduzida. Pessoas com doenças renais avançadas devem consultar seu médico. Um estudo de 2017, publicado na revista Magnesium Research, avaliou pacientes que passaram por cirurgia de coração, e o magnésio não só ajudou a prevenir a prisão de ventre como também palpitações cardíacas regulares, principalmente a fibrilação atrial.

Um estudo de 2014, publicado na revista Clinical Gastroenterology and Hepatology, focou em mulheres com prisão de ventre na França. Os pesquisadores descobriram que, quando a água mineral rica em magnésio era consumida, os sintomas da prisão de ventre melhoraram significativamente.

Vitamina C – comumente encontrada em frutas cítricas e pimentões, o consumo de vitamina C é importante para ajudar a prevenir uma doença chamada escorbuto.  Ela também pode ajudar com a prisão de ventre.

Casca de psyllium a casca de psyllium pode ser muito útil para a prisão de ventre crônica. Ela também pode ajudar com o controle de açúcar sanguíneo em pessoas com diabetes. Um estudo de 2018, publicado na Complementary Therapies in Medicine, demonstrou que indivíduos com diabetes tipo 2 que tiveram prisão de ventre não só perderam peso quando consumiram psyllium como também viram benefícios no controle da glicose. Além disso, um estudo de 2016, publicado na revista Appetite, demonstrou que o psyllium ajudou com a saciedade, permitindo que a pessoa se sinta satisfeita e tenha menos fome entre as refeições.

Prebióticos – os prebióticos são os nutrientes e/ou os alimentos que as bactérias saudáveis do intestino consomem. Ao fazer uma suplementação com prebióticos, como a inulina, é possível ajudar a garantir que bactérias intestinais benéficas sejam adequadamente alimentadas, ajudando a restaurar o equilíbrio harmônico do trato intestinal.

Alimentos que são considerados prebióticos incluem maçãs, aspargos, banana, cevada, chicória, dente-de-leão, linhaça e alho. Aprenda mais sobre os prebióticos.

Um estudo de 2019 demonstrou a utilidade da otimização do consumo de prebióticos no tratamento da prisão de ventre. Analogamente, um estudo de 2017, publicado no American Journal of Medical Sciences, demonstrou que os prebióticos, tanto sozinhos quanto em combinação com probióticos, podem ajudar a melhorar a frequência de movimentos intestinais, além de reduzir o esforço e os sintomas de inchaço.  

Probióticos – com o passar dos anos, muitos de meus pacientes notaram a reversão do quadro de prisão de ventre quando um probiótico foi tomado.  Um estudo de 2017, publicado na Archives of Gerontology and Geriatrics, comparou um suplemento probiótico a um placebo, e descobriu que os probióticos melhoraram o quadro de prisão de ventre entre 10 e 40 por cento.

Outro estudo de 2017, com crianças asiáticas com prisão de ventre, demonstrou que os probióticos ajudaram a aumentar a frequência de movimentos intestinais. Além disso, um estudo de 2018 demonstrou que os probióticos também podem ser benéficos em pessoas com mal de Parkinson que têm prisão de ventre.

Ervas para a prisão de ventre

Cáscara sagrada (rhamnus) – a cáscara sagrada é uma erva que tem sido usada por centenas de anos para ajudar com a prisão de ventre crônica. O nome pode ser traduzido como “casca de árvore sagrada”, e ela tem um papel importante em tratamentos medicinais indígenas. Cientistas descobriram que a antraquinona é o ingrediente ativo que fornece seu benefício para o intestino.

Triphala – apesar da triphala ser frequentemente usada com sucesso por pessoas com prisão de ventre, eu não fui capaz de encontrar estudos a ligando especificamente a esse tipo de benefício.  Porém, eu encontrei um estudo que demonstra que a erva tem um efeito positivo no microbioma intestinal, o que pode explicar por que ela tem sido útil no tratamento da prisão de ventre, segundo relatos.

Babosa – a babosa tem sido usada por muitas razões na Ásia e no México por séculos. Muitas pessoas relatam sua utilidade no alívio da prisão de ventre crônica. Existem estudos datados desde 1974 (e alguns recentes, como 2008) demonstrando seu benefício. Ela pode ser tomada como um suco ou um suplemento.

Sene – usada por milênios, a utilidade da erva sene foi demonstrada em um estudo de 2017, com crianças com prisão de ventre.  Outro estudo de 2018 não só demonstrou os benefícios da sene como também indicou que ela é muito segura. Ela pode ser consumida como um chá ou suplemento.

Ruibarbo – os chineses utilizaram o ruibarbo por quase 3000 anos por razões medicinais, principalmente como um laxante. A ciência moderna suporta seu uso ancião. Um estudo de 2018 demonstrou que o ruibarbo pode ser útil para pessoas com prisão de ventre durante a hospitalização. Ele pode ser consumida como alimento ou suplemento.

Outros tratamentos:

De acordo com os remédios ayurvédicos antigos, um copo de leite morno com ghee pode ajudar. Eu recomendo considerar adicionar ghee ao café ou chá – uma combinação que tem sido conhecida como café ou chá à prova de balas.

O pó de alcaçuz adicionado à água morna também pode ser benéfico.

Ameixas e suco de ameixa são uma terapia comum para a prisão de ventre, que muitas acham benéfica. Um estudo de 2011 indicou que as ameixas podem ser mais efetivas que o psyllium para o alívio do problema.

Além disso, o consumo regular de chás de ervas, incluindo chá preto, camomila, chá verde, gengibre, hortelã ou sene pode reaver os movimentos intestinais.

Referências:

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