beauty2 heart-circle sports-fitness food-nutrition herbs-supplements
Bem-estar

Gengibre: a raiz poderosa

13 Maio 2019

Por Eric Madrid MD

Neste artigo:

Não muito tempo atrás, recebi uma carta de uma empresa de seguro de saúde sobre um paciente meu que estava sendo tratado de uma doença crônica muito séria. O seguro estava disposto a cobrir um suplemento de gengibre para ajudar com os efeitos colaterais da quimioterapia, como náuseas e vômitos. Eles também incluíram na carta um estudo de pesquisa apoiando essas afirmações. Intrigado, decidi aprender mais sobre o gengibre e os seus benefícios para a saúde. Aqui está o que eu descobri.

O que é o gengibre?

O nome científico para o gengibre é Zingiber officinale, enquanto suas raízes são conhecidas como Rhyzomus zingiberus. O gengibre é uma planta originária do sudeste da Ásia, mas suas raízes espessas também têm sido usadas em práticas médicas tradicionais da China, Índia, Polinésia e África.

Nos campos da medicina ayurvédica e medicina tradicional chinesa (MTC), o gengibre é bem conhecido por suas propriedades. Seus ingredientes ativos são gingerol e shogaol. O gengibre cru contém a maior concentração dessas moléculas, mas muitos acham que, sem estar cozido, o gengibre é intragável. Por conta disso, os suplementos e chás de ervas são as alternativas populares.

Gengibre, náuseas e vômitos

O gengibre tem sido extensivamente estudado em relação ao seu efeito sobre náuseas e vômitos, especialmente entre pacientes com câncer. Um estudo do Dr. Abdul-Aziz e de seus colegas mostrou que o gengibre atua nas mesmas partes do cérebro onde poderosos medicamentos anti-náusea como o ondansetrona (Zofran) e o palonosetron (Aloxi) agem. No estudo, os sintomas de náusea foram reduzidos em 40 a 50 por cento com a ajuda dessa planta.

Gengibre e o enjoo matinal

Até 70% das mulheres sofrem com náuseas durante a gravidez. É mais comum durante as primeiras 12 semanas, às vezes durando até 20 semanas. Um tratamento natural, seguro e eficaz é o recomendado, e o gengibre é uma escolha comum. Uma meta-análise feita pelo Dr. Ding em 2012 confirmou que não havia evidência de toxicidade fetal em um total de 500 mulheres de cinco estudos separados ao tomarem gengibre na dose recomendada de 1.000-4.000 mg por dia.

Da mesma forma, um estudo de 2014 no Nutrition Journal avaliou 1.278 mulheres e descobriu que o gengibre poderia ajudar a reduzir com segurança os sintomas de náusea e vômito causados ​​pelo enjoo matinal. Um estudo de 2016 feito pela Integrative Medicine Insights mostrou que o gengibre era mais eficaz que o placebo e tão eficaz quanto a vitamina B6 para a resolução dos mesmos sintomas.

Com base nessas descobertas científicas e em experiências pessoais, muitas mulheres grávidas usam o gengibre como terapia de primeira linha ou terapia em conjunto com medicamentos prescritos para enjoos matinais. Deve-se sempre consultar seu médico antes de tomar medicamentos fitoterápicos durante a gravidez.

Gengibre, viroses do estômago e a diarreia do viajante

O gengibre pode ser útil no tratamento da gastroenterite viral, conhecida também como “gripe intestinal”. Um gastroenterologista italiano chamado Dr. Canani publicou um artigo em 2018 mostrando que o gengibre administrado a um grupo pediátrico afetado reduziu os episódios de vômitos em 20% e o número de dias de licença da escola em 28%. Estudos semelhantes também estão sendo realizados nos Estados Unidos.

Durante uma viagem para determinados países, algumas pessoas correm o risco de ter diarreia bacteriana. Também conhecida como diarreia do viajante, essa doença gastrointestinal ocorre em todo o mundo e é causada pelo crescimento anormal da bactéria E. coli, resultando em diarreia e desidratação frequentes.

A toxina liberada por essas bactérias se liga às células do intestino, resultando na diarreia. Um estudo recente do Dr. Chen mostrou que o gengibre pode se ligar ao mesmo local do intestino que está servindo de alvo, e bloquear o efeito da toxina bacteriana, reduzindo os sintomas da doença. Chen acredita que o gengibre pode ser uma alternativa melhor para o tratamento sintomático da diarreia do viajante do que os medicamentos prescritos.

Gengibre e as doenças bucais

Um grande avanço no campo da ciência médica é a nossa percepção de que a saúde da nossa boca irá se inter-relacionar com a saúde de todo o nosso corpo - cuidar dos nossos dentes, assim como das gengivas, pode ter um impacto positivo na saúde geral. Uma solução de suco de gengibre, alecrim, e calêndula mostrou, em um estudo de 2016, ser tão eficaz quanto a clorexidina na redução de bactérias orais.  

Outro estudo do Dr. Eslami e sua equipe em 2015 mostrou que o suco de gengibre é um tratamento eficaz para infecções orais relacionadas a leveduras. Isso provavelmente se deve às propriedades antimicrobianas inatas do gengibre.  

O Dr. Tiwari também afirmou em uma pesquisa de 2016 que as propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes da planta também podem diminuir o risco de gengivite e câncer de boca. Para benefícios relacionados à saúde bucal, o Dr. Tiwari apoia fortemente o uso regular de um enxaguante bucal à base de gengibre, que pode ser feito em casa, adicionando suco de gengibre a um copo de água. Escovar com creme dental à base de gengibre também é uma boa opção.

Gengibre e as infecções respiratórias

Na medicina tradicional, o gengibre  é altamente respeitado como um tratamento para infecções virais do trato respiratório superior. Vários estudos demonstraram que o gengibre é um inibidor da COX-2, o que lhe permite desempenhar um papel semelhante ao dos medicamentos anti-inflamatórios não esteroidais (ibuprofeno, naproxeno, indometacina) para reduzir dores musculares e febres.

Além disso, o gengibre demonstrou ter “atividade anticolinérgica” no trato respiratório, o que ajuda a reduzir a congestão no peito e a tosse quando uma infecção está presente. Portanto, essa planta é uma excelente opção para ajudar a tratar os sintomas de infecções respiratórias, incluindo o chiado presente na respiração com vias nasais obstruídas.

Apesar do sucesso nas tradições da medicina antiga, o gengibre não é bem estudado como um suplemento antiviral, e mais estudos precisam ser feitos para analisar suas propriedades antivirais. No entanto, com base nesses estudos, 2.500 a 4.000 mg de gengibre por dia podem ser considerados.

Gengibre e artrite

Estudos mostraram que, em determinado momento, aproximadamente um em cada três adultos com mais de 65 anos tem osteoartrite, que está associada ao avanço da idade. Não há cura para a osteoartrite e, por conta disso, o melhor tratamento é a prevenção da doença e o alívio dos sintomas.

De acordo com o Dr. Baliga, o gengibre age em várias vias inflamatórias para reduzir a inflamação das articulações, o que, por sua vez, retarda a progressão da artrite enquanto reduz os sintomas dolorosos.

Assim como os anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco), o gengibre funciona como um inibidor da COX-2 para reduzir a inflamação nas articulações e parece também ajudar a prevenir o desgaste da cartilagem articular, a causa da artrite. Dose sugerida: 2.500 a 4.000 mg por dia.

Gengibre e a diabetes

À medida que as populações em todo o mundo se tornam mais pesadas, a diabetes tornou-se mais comum. Uma em cada três crianças nascidas hoje corre o risco de desenvolver diabetes se a tendência atual continuar. Embora muitas pessoas não percebam isso, a diabetes é uma doença que pode resultar em uma grande variedade de danos aos órgãos. As complicações mais comuns são a doença vascular e complicações neurológicas. No entanto, existem complicações causadas pela diabetes para quase todos os sistemas orgânicos do corpo. O mecanismo por trás desses problemas é causado por níveis persistentemente elevados de açúcar no sangue ou hiperglicemia.

Em um estudo feito pelo Dr. Yiming Li, foi demonstrado que o gengibre pode ser capaz de prevenir algumas complicações diabéticas comuns. Dr. Li relata que o gengibre ajuda a promover o controle do açúcar no sangue, como mostrado em modelos animais. Ratos que receberam altas doses de suplementos de gengibre (800 mg / kg, uma dose não recomendada para humanos) tiveram uma redução de 24% a 53% nos níveis de açúcar no sangue em comparação com o outro grupo de estudo formado por ratos diabéticos. O estudo também mostrou que o gengibre ajuda a proteger o fígado, rins, nervos e olhos de complicações diabéticas, como fígado gorduroso, doença renal, neuropatia e catarata.

Mudanças nos hábitos do estilo de vida, como o jejum intermitente e dietas com pouco carboidrato, também podem ser úteis para os diabéticos.

Gengibre e a saúde geral

O que sabemos sobre o gengibre  e o que ele pode fazer se estende além do alcance desse artigo. Centenas de estudos científicos respeitáveis e artigos sobre gengibre e seus muitos usos existem, e novas descobertas são publicadas sobre essa planta todos os anos. O gengibre é frequentemente consumido como alimento, suplemento ou óleo essencial – ou consumido como um chá de ervas. Ele desempenha um papel importante na saúde geral de milhões de pessoas em todo o mundo.

Referências:

*Agradecimentos especiais a Austin Bowden, BS, que me ajudou a conduzir as pesquisas para este artigo.

  1. Lee, Jiyeon, and Heeyoung Oh. “Ginger as an Antiemetic Modality for Chemotherapy-Induced Nausea and Vomiting: A Systematic Review and Meta-Analysis.” Oncology Nursing Forum, vol. 40, no. 2, 2013, pp. 163–170., doi:10.1188/13.onf.163-170.
  2. Mbaveng, A.t., and V. Kuete. “Zingiber Officinale.” Medicinal Spices and Vegetables from Africa, 2017, pp. 627–639., doi:10.1016/b978-0-12-809286-6.00030-3.
  3. Semwal, Ruchi Badoni, et al. “Gingerols and Shogaols: Important Nutraceutical Principles from Ginger.” Phytochemistry, vol. 117, 2015, pp. 554–568., doi:10.1016/j.phytochem.2015.07.012.
  4. T. Al Kury, Lina & Mahgoub, Mohamed & Christopher Howarth, Frank & Oz, Murat. (2018). Natural Negative Allosteric Modulators of 5-HT3 Receptors. Molecules. 23. 3186. 10.3390/molecules23123186
  5. Ding, Mingshuang, et al. “The Effectiveness and Safety of Ginger for Pregnancy-Induced Nausea and Vomiting: A Systematic Review.” Women and Birth, vol. 26, no. 1, 2013, doi:10.1016/j.wombi.2012.08.001.
  6. Viljoen, Estelle, et al. “A Systematic Review and Meta-Analysis of the Effect and Safety of Ginger in the Treatment of Pregnancy-Associated Nausea and Vomiting.” Nutrition Journal, vol. 13, no. 1, 2014, doi:10.1186/1475-2891-13-20.
  7. Lete, Iñaki and José Allué. “The Effectiveness of Ginger in the Prevention of Nausea and Vomiting during Pregnancy and Chemotherapy” Integrative medicine insights vol. 11 11-7. 31 Mar. 2016, doi:10.4137/IMI.S36273
  8. Berni Canani, R. Therapeutic efficacy of ginger on vomiting in children affected by acute gastroenteritis. Presented at the Annual Meeting of the European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology and Nutrition. Geneva, Switzerland, 11 May 2018
  9. Chen, Jaw-Chyun et al Ginger and its bioactive component inhibit enterotoxigenic Escherichia coli heat-labile enterotoxin-induced diarrhea in mice. J Agric Food Chem. 2007 Oct 17; 55(21): 8390–8397
  10. Mahyari S, Mahyari B, Emami SA, Malaekeh-Nikouei B Jahanbakhsh SP, Sahebkar A, et al. Evaluation of the efficacy of a polyherbal mouthwash containing Zingiber officinale, Rosmarinus officinalis and Calendula officinalis extracts in patients with gingivitis: A randomized double-blind placebo-controlled trial. Complement Ther Clin Pract 2016;22:93-8.
  11. Eslami H, Pakroo S, Maleki TE. Is ginger (Zingiber officinale) mouthwash a convenient therapeutic for denture stomatitis? Adv Biosci Clin Med 2015;3:17-23
  12. Tiwari, Ritu. (2016). Pharmacotherapeutic Properties of Ginger and its use in Diseases of the Oral Cavity: A Narrative Review. Journal of Advanced Oral Research. 7. 1-6. 10.1177/2229411220160201
  13. Chrubasik, S., et al. “Zingiberis Rhizoma: A Comprehensive Review on the Ginger Effect and Efficacy Profiles.” Phytomedicine, vol. 12, no. 9, 2005, pp. 684–701., doi:10.1016/j.phymed.2004.07.009
  14. Rahmani, Arshad H et al. “Active ingredients of ginger as potential candidates in the prevention and treatment of diseases via modulation of biological activities” International journal of physiology, pathophysiology and pharmacology vol. 6,2 125-36. 12 Jul. 2014
  15. Townsend, Elizabeth A et al. “Effects of ginger and its constituents on airway smooth muscle relaxation and calcium regulation” American journal of respiratory cell and molecular biology vol. 48,2 (2013): 157-63
  16. Chang, Jung San et al, “Fresh ginger (Zingiber officinale) has antiviral activity against human respiratory syncytial virus in human respiratory tract cell lines.”J Ethnopharmacol. 2013 Jan 9; 145(1): 146–151.
  17. Baliga et al, Ginger (Zingiber officinale Roscoe) in the treatment and prevention of arthritis. Bioactive food and dietary interventions for arthritis and related inflammatory diseases chapter 41, 2013, ISBN: 978012813821
  18. Yiming Li, Van H. Tran, Colin C. Duke, and Basil D. Roufogalis, “Preventive and Protective Properties of Zingiber officinale (Ginger) in Diabetes Mellitus, Diabetic Complications, and Associated Lipid and Other Metabolic Disorders: A Brief Review,” Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, vol. 2012, Article ID 516870, 10 pages, 2012.

Artigos Relacionados

Ver tudo

Bem-estar

Mude sua saúde carregando suas mitocôndrias

Bem-estar

L-teanina, benefícios à saúde e à função cognitiva

Bem-estar

Os probióticos e as enzimas digestivas podem criar harmonia em seu intestino?